Ainda sem internet
Ainda sem internet por aqui. Trabalhando e blogando na base do roteamento do celular e os dados estão quase acabando. O legal de situações como essas é que todo mundo começa a conversar e passa a viver de uma forma diferente. Criamos quase uma utopia de um mundo sem redes virtuais. Milagrosamente mais paciente.
Vizinhos tomam um ar juntos do lado de fora do prédio para analisar o trabalho de equipes técnicas, como se eles entendessem de alguma coisa que se passa ali. Conversam em tom de tranquilidade com os moços de capacetes brancos, pendurados em escadas altíssimas para alcançar os postes. Os porteiros não tem mais como ficar ouvindo o celular de canto de orelha, e passam a conversar mais longamente com quem passa. Sobre o futebol de hoje e de sempre, o frio que não vai embora, a quantidade de equipes de telefonia que transitam nas ruas durante o dia, a quentinha que trouxeram para o almoço.
Os grupos de WhatsApp dos vizinhos começam a ferver de mensagens atualizando as últimas notícias. E os atendentes de cafés se tornam um pouco mais do que estranhos, uma vez que passamos horas por ali na companhia deles, solícitos para acomodar todo mundo e seus notebooks. A vizinhança ganha o ar de um disse me disse e uma falação que não ocorreria sem esse problema comum. Já descobrimos 4 prédios que estão sem internet no quarteirão.
Começamos todos a sair de casa para fazer atividades e resolver pendências que não resolveríamos se estivéssemos 100% conectados à internet. Sacolas de verduras são carregadas, livros pendentes são entregues nas bibliotecas, embalagens de correios são despachadas, materiais de limpeza são finalmente empregados nos locais que acumulam o pó. E as jabuticabeiras dão os frutos.
É maravilhoso como até mesmo as coisas que nos estressariam profundamente podem nos render o melhor da vida!

24 de setembro de 2026, às 11:30